terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Ovos de Páscoa podem ficar até 6% mais caros


Reajustes no açúcar e no cacau são responsáveis por aumento nos preços


Os corredores mais escuros nos supermercados atraem os olhares para cima. São os ovos de Páscoa, que poucos dias após o Carnaval, começam a invadir os supermercados e lojas de departamentos. Os preços no varejo devem crescer até 6%, puxados pelos reajustes dos últimos meses do açúcar e do cacau.

Nos últimos doze meses, os preços do açúcar e do cacau, cotados na Bolsa de Nova York, subiram, respectivamente, cerca de 87% e 16%. Os fabricantes de chocolates devem baixar a margem de lucro para repassar um aumento mínimo ao consumidor, que pode chegar a 6%.

Para o diretor do departamento de economia da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), Denis Ribeiro, a concorrência entre as redes varejistas deverá limitar o repasse dos preços dos insumos aos consumidores.

O gerente de marketing Luciano Faraco, do supermercado Imperatriz, em São José, na Grande Florianópolis, afirmou que 80% das 18 lojas da rede começaram a expor os ovos desde sexta-feira. Ele espera vender 20% a mais que em 2009, com preços entre R$ 6,90 a R$ 50, similares ao ano passado. Para o calor não derreter as doçuras, a estratégia é colocar os produtos próximo aos setores de refrigerados.

Na rede Havan, onde os ovos serão disponibilizados a partir da semana que vem, a ideia é vender 50% mais do que no ano anterior, segundo Sandra Fagundes, do setor de compras. As lojas vão oferecer produtos das marcas Garoto, Nestlé e Lacta, além da catarinense Chocolates Texas, de Lages, e Do Parke, de Gramado (RS).

A rede de hipermercados Big foi uma das primeiras a expor guloseimas e enfeites relativos à data, com mais de 40 dias de antecedência. A gerente comercial do Walmart para a região Sul, Daiane Dariva, explica que antecipou a oferta desses itens para o cliente escolher o melhor momento para as compras, sem atropelos. O Giassi vai contar com cinco marcas este ano e espera aumentar as vendas em 15% em relação a 2009, conforme informou o gerente Manuel João Fidelis Filho.

No ano passado, devido aos efeitos da crise, a indústria de chocolates reduziu a gramatura média dos produtos. Este ano, o tamanho deve aumentar. Sem revelar números, tanto a fabricante de chocolates Garoto quanto a Nestlé creem na retomada das vendas.

A Nestlé ampliou em 15% seus lançamentos, com destaques para ovos com gramaturas de até 330 gramas. A empresa informou ainda estar preparando um reforço na atuação nos pontos de venda. Já a Garoto lançou 15 produtos exclusivamente para esta Páscoa.

Data movimenta vários setores

Não são apenas os supermercados que apostam numa boa Páscoa. Os produtores de chocolates artesanais trabalham desde o ano passado para dar conta dos pedidos. E nas lojas especializadas, a proposta é caprichar na decoração para atrair clientes.

A proprietária da Nugali, Maitê Lang, de Pomerode, no Vale do Itajaí, começou a fazer os chocolates amargos, com 70% de cacau, ainda em outubro. Apesar de a Páscoa não ser o foco da empresa, ela espera vender 36% a mais nesta época.

A fábrica, que existe há seis anos, aposta no novo sabor gianduia (chocolate refinado com avelã) e um ovo embalado em porcelana Schmidt, que sai por R$ 85 o exemplar de 400 gramas.

Maitê vai produzir 18 toneladas de chocolate para a Páscoa e espera aumentar as vendas. Para não derreter o chocolate, a fábrica é toda resfriada com ar condicionado, isolamento térmico e embalagens especiais para o transporte.

Na Doce Beijo, de Joinville, no Norte do Estado, foram contratados seis funcionários e mais vagas serão abertas nas próximas semanas. A gerente Rafaela Hass espera vender entre 10% a 15% a mais que em 2009, oferecendo quase 80 produtos diferentes relativos ao coelhinho e seus adereços.

Otimismo também na Chocopp. A fábrica se prepara desde janeiro para a data, quando a produção começou a ser 70% voltada à Páscoa.

— Aumentamos em 20% o número de funcionários da fábrica. Devemos contratar pelo menos um temporário para cada uma das três lojas e para nosso ponto de vendas na sede — explica o dono da empresa, André Luis Coppi.

Há 20 anos no mercado, Morgana Vieira Bittencourt, proprietária da Morgana Chocolates Artesanais, na Capital, iniciou a produção para a Páscoa logo após o Natal. Costuma vender 50% a mais nesta época e tem expectativa de vender até 10% mais que no ano passado. A loja enfeitada de coelhos permite ver onde os chocolates são produzidos.

A franquia Cacau Show, com 29 lojas em Santa Catarina e 800 em todo o país, prevê um aumento de 40% no volume de vendas. A rede preparou 14 novos produtos para esta época. O gerente de marketing da empresa, Stefenson Soalheiro, acredita que a maior parte do faturamento da franquia deverá vir da venda de ovos entre 200 e 400 gramas, ao contrário do ano passado, quando os mais procurados tinham entre 80 a 160 gramas.

Fonte: Diário Catarinense, por Alícia Alão (alicia.alao@diario.com.br)

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