quarta-feira, 31 de março de 2010

Teste mostra que consumidor compra peixe e leva gelo

Este assunto já foi abordado pelo blog, mas tendo em vista o consumo por esses dias, em razão da Páscoa, interessante a leitura da análise dos produtos congelados colocados a venda. Acompanhe:



O Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) começou a fazer testes com frutos do mar congelados em todo o Brasil. Diferença entre peso líquido e anunciado chega a 20%.

Na Semana Santa, especialmente na Sexta-Feira Santa, aumenta o procura por pescados. Quando o peixe é congelado é difícil analisar as condições do pescado e avaliar se o peso declarado corresponde ao peso de fato do produto. Com confiar nas embalagens?

Diante de inúmeras queixas dos consumidores o Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) começou a fazer testes com frutos do mar congelados em todo o Brasil. O resultado já saiu em três estados: São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. No Rio Grande do Norte, o trabalho ainda não terminou, mas duas marcas já foram autuadas porque não indicavam o peso do produto.

“Na embalagem do produto ou na etiqueta tem que constar o valor do peso líquido do produto. O que seria o valor do peso líquido do produto? No caso do pescado congelado, é o peso do produto descontado o peso da própria embalagem e do glaciamento – uma cobertura de gelo que protege o pescado - que é feito no pescado para sua conservação”, explica o diretor do Inmetro, Luiz Carlos Gomes.

Para fazer o teste, os técnicos retiram o glaciamento.

“O produto vai em uma peneira e submerso em uma quantidade de água entre 19ºC e 21ºC por 20 segundos. Após isso, o produto é colocado na peneira inclinada, durante 30 segundos, para que seja escorrido o excesso de água”, diz Michel Ravazi, do Ipem de Maringá (PR)

O peso do pescado, sem o excesso de gelo, é comparado ao que está impresso no pacote. No estado de São Paulo, foram encontrados 16 produtos com peso abaixo do indicado. A maior diferença foi no camarão sem cabeça, da empresa Costa Sul. Em média, 80 gramas a menos na embalagem de meio quilo.

O camarão da Costa Sul também foi um dos campeões da diferença de peso em Mato Grosso do Sul. No pacote de meio quilo, havia um pouco mais de 320 gramas.

Em todo o estado, 13 produtos foram reprovados. O camarão da Pescados Roys tinha um peso bem menor do que mostrava a embalagem.

A Costa Sul informou que vai esperar a notificação do Ipem antes de tomar qualquer atitude. A Pescados Roys disse que compra o camarão de outras empresas, e apenas embala os frutos do mar.

O produto irregular é recolhido pelo Ipem e fica disponível para o fabricante por 24 horas. Depois disso, é doado. A empresa tem dez dias para se explicar e substituir os produtos. Caso contrário, a multa pode chegar a R$ 1,5 milhão.

“Vai ser aplicada de acordo com o porte da empresa, a gravidade da infração que a empresa está cometendo, se é reincidente, se não é”, explica Luiz Carlos Gomes.

No Paraná, 19 produtos foram reprovados. A maior diferença foi na embalagem de 300 gramas de camarão descascado da Impescal. No filé de linguado de meio quilo da marca Fama Pesca, mais de 20% eram gelo.

A Impescal informou que vai rever o processo de congelamento. A Fama Pesca disse que vai entrar em contato com os fornecedores para resolver o problema.

“Se o consumidor tiver dúvida na hora de comprar esse pescado na diferença de peso, que pese na hora. É obrigação do estabelecimento comercial que está comercializando este produto que ele faça a pesagem na presença do consumidor”, esclarece José Fernandes do Procon – RJ.

“Se você pesa e dá um valor igual ou menor, é indício de que tem um problema aí”, alerta Luiz Carlos Gomes.

Fonte: Programa Fantástico da Rede Globo de Televisão.

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